Braskem amplia prejuízo e expõe fragilidade da indústria petroquímica global

A Braskem registrou prejuízo bilionário no quarto trimestre de 2025 e acendeu um alerta sobre a pressão crescente na indústria petroquímica global. Entenda o que está por trás da queda, os impactos para o Brasil e por que o problema vai muito além de uma única empresa.

ECONOMIAPOLÍTICA

Bugiganga News - CR

3/29/20262 min ler

A Braskem encerrou o quarto trimestre de 2025 com um prejuízo líquido de R$ 10,28 bilhões, quase o dobro do resultado negativo registrado no mesmo período do ano anterior. Em um primeiro olhar, o número chama atenção pelo tamanho. Mas, olhando com mais profundidade, ele revela algo ainda mais importante: a pressão sobre a indústria petroquímica global está se tornando cada vez mais difícil de ignorar.

A receita líquida da companhia somou R$ 16,1 bilhões no trimestre, com queda de 7% em relação ao mesmo período de 2024. Já o EBITDA recorrente ficou em R$ 598 milhões, levemente acima do visto um ano antes, mas ainda insuficiente para compensar a deterioração do ambiente operacional. No acumulado de 2025, o prejuízo líquido chegou a R$ 9,87 bilhões, enquanto o EBITDA recuou 45%, o que reforça a percepção de perda de força estrutural no setor.

Segundo a própria companhia, o trimestre foi impactado pela combinação de fatores externos que já vêm pressionando a petroquímica internacional há algum tempo. Entre eles estão os conflitos geopolíticos, a guerra tarifária, a sazonalidade do petróleo e um ambiente externo marcado por incertezas. Na prática, isso significa um mercado mais instável, com spreads químicos e petroquímicos mais apertados e menor capacidade de conversão de receita em rentabilidade.

Esse ponto é central para entender a dimensão da notícia. O problema não está apenas dentro da Braskem. O que os números mostram é que o modelo de rentabilidade da indústria petroquímica vem sendo pressionado por vários lados ao mesmo tempo. De um lado, há desaceleração da demanda em mercados importantes. De outro, existe aumento da concorrência global, especialmente de regiões com custos mais competitivos. Somado a isso, a volatilidade energética reduz previsibilidade e dificulta planejamento de médio prazo.

Quando uma empresa do porte da Braskem sente esse impacto, o sinal para o mercado é relevante. Não se trata apenas de um balanço ruim, mas de um reflexo de uma indústria pesada que opera em um ambiente internacional mais hostil, mais caro e menos estável do que há alguns anos. O que antes podia ser tratado como uma oscilação pontual passa a parecer uma mudança estrutural.

No caso do Brasil, a preocupação aumenta. A Braskem ocupa posição estratégica na cadeia industrial do país. Seu desempenho afeta diretamente fornecedores, empregos, competitividade e capacidade de transformação industrial. Quando uma companhia desse tamanho perde rentabilidade, o efeito não se limita aos acionistas. Ele atinge a indústria como um todo e amplia a sensação de vulnerabilidade em setores que dependem de escala, energia e demanda consistente.

Por isso, a notícia da Braskem deve ser lida como mais do que um resultado trimestral ruim. Ela funciona como um termômetro. E o termômetro sugere que a indústria petroquímica global entrou em uma fase mais difícil, com margens mais comprimidas, competição mais agressiva e menor margem de erro. A pergunta que fica não é apenas como a Braskem vai reagir, mas até que ponto a indústria pesada global conseguirá sustentar seu modelo atual diante de um cenário tão pressionado.