CPMI do INSS vira ringue, quebra sigilo de Lulinha e escancara guerra política em Brasília

A CPMI do INSS aprovou a quebra de sigilo de Lulinha e gerou forte reação do governo, que pediu anulação da votação. A comissão investiga um possível esquema de R$ 800 milhões em descontos indevidos contra aposentados, enquanto o caso ganha contornos de disputa política em Brasília.

POLÍTICA

Bugiganga News

2/27/20262 min ler

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Brasília nunca decepciona quando o assunto é espetáculo.

A CPMI do INSS, criada para investigar um esquema bilionário de descontos indevidos contra aposentados, conseguiu transformar uma sessão técnica em um verdadeiro campo de batalha político. Empurra-empurra, gritaria, votação contestada e, no centro da tempestade, a aprovação da quebra de sigilo bancário e fiscal de Fábio Luís Lula da Silva, o “Lulinha”.

Sim, o filho do presidente entrou oficialmente no radar da comissão.

O que aconteceu de fato

Durante a votação de requerimentos, a maioria da comissão aprovou a quebra de sigilo de Lulinha. A base governista reagiu imediatamente, alegando irregularidades no processo de votação e pedindo a anulação da decisão ao presidente do Senado.

Enquanto isso, o empresário Paulo Camisotti, apontado como um dos principais nomes ligados ao esquema que pode ter movimentado cerca de R$ 800 milhões em descontos sobre aposentados e pensionistas, compareceu à comissão e ficou em silêncio, amparado por habeas corpus.

Traduzindo: a comissão pergunta, o investigado cala, e o contribuinte assiste.

Mas afinal, qual é o foco?

A CPMI investiga um esquema que teria operado por anos aplicando descontos indevidos em benefícios do INSS, atingindo aposentados e pensionistas, justamente a parcela mais vulnerável da população.

O problema é que, à medida que os nomes politicamente sensíveis entram na pauta, o debate sai do mérito da fraude e entra no campo da guerra partidária.

De um lado, a oposição fala em aprofundar as investigações “sem blindagens”.

Do outro, governistas denunciam perseguição política e irregularidades na condução da comissão.

Enquanto isso, os aposentados seguem esperando explicações.

A pergunta incômoda

Estamos diante de uma investigação séria sobre um esquema bilionário ou de mais um capítulo da disputa política que paralisa Brasília?

Porque quando a sessão termina com intervenção da polícia legislativa e pedidos de anulação de votação, o foco deixa de ser o dinheiro desviado e passa a ser o controle da narrativa.

E narrativa, em ano pré-eleitoral, vale ouro.

O que pode acontecer agora

O pedido de nulidade pode levar a nova votação ou judicialização do caso. A quebra de sigilo, se mantida, tende a elevar ainda mais a temperatura política.

Se anulada, alimentará o discurso de blindagem.

Independentemente do desfecho, o estrago político já está feito.

No fim das contas

A CPMI nasceu para investigar descontos indevidos contra aposentados.

Mas corre o risco de virar apenas mais um palco de guerra partidária.

E como sempre acontece em Brasília, quando a política sobe o tom, a prioridade muda.

O discurso é técnico.

A briga é política.

E a conta, essa nunca deixa de chegar.