Energia nuclear volta ao centro da estratégia global enquanto países buscam segurança energética e independência geopolítica

Com crises energéticas, tensões geopolíticas e metas climáticas pressionando governos, a energia nuclear volta ao centro das estratégias globais de segurança energética.

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Bugiganga News - CR

3/11/20262 min ler

Depois de anos fora do centro do debate energético, a energia nuclear voltou a ganhar força no cenário global.

Governos, bancos multilaterais e empresas do setor estão discutindo novos investimentos bilionários para ampliar usinas existentes e construir uma nova geração de reatores nucleares.

O movimento ganhou força durante encontros recentes entre líderes do setor energético na Europa, onde diversos países defenderam a ampliação do uso da tecnologia como forma de garantir segurança energética, estabilidade de fornecimento e redução de emissões de carbono.

Hoje, a energia nuclear responde por cerca de 10% da eletricidade mundial, segundo dados da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA).
No entanto, em algumas economias avançadas, sua participação é muito maior.

Na França, por exemplo, cerca de 70% da eletricidade ainda vem de usinas nucleares.
Nos Estados Unidos, a fonte responde por aproximadamente 19% da geração elétrica.

Nos últimos anos, porém, a agenda nuclear havia perdido espaço após acidentes históricos e pelo alto custo de construção das usinas.

Agora, uma combinação de fatores está mudando esse cenário.

A crise energética provocada pela guerra na Ucrânia, a volatilidade do preço do petróleo e do gás natural e a necessidade de acelerar a transição energética colocaram novamente o tema na mesa.

Muitos governos passaram a enxergar a energia nuclear como uma alternativa estratégica: uma fonte capaz de gerar grande quantidade de eletricidade com baixa emissão de carbono e alta estabilidade de produção.

Outro fator que impulsiona o novo interesse é o desenvolvimento dos chamados SMRs (Small Modular Reactors), ou reatores nucleares modulares.

Esses novos projetos prometem reduzir custos, aumentar segurança e permitir a construção de usinas menores e mais flexíveis.

Empresas e governos de países como Estados Unidos, Reino Unido, Canadá e China já estão investindo bilhões no desenvolvimento dessas tecnologias.

Mesmo assim, a expansão da energia nuclear continua cercada de controvérsias.

Críticos apontam os altos custos iniciais de construção, os desafios relacionados ao armazenamento de resíduos radioativos e os riscos associados a acidentes nucleares.

Ainda assim, para muitos governos, a discussão voltou a ser menos ideológica e mais estratégica.

Em um mundo marcado por crises energéticas, conflitos geopolíticos e pressão por descarbonização, a energia nuclear voltou a ser vista como uma peça importante do quebra-cabeça energético global.

E a nova corrida nuclear pode estar apenas começando.

Durante décadas, o mundo tentou se afastar da energia nuclear.

Agora, diante de crises energéticas e disputas geopolíticas, muitos países começam a olhar novamente para ela.

A questão deixou de ser apenas ambiental.

Ela se tornou estratégica.