Indústria de Máquinas Cresce 8,3% em 2025 e Abimaq Alerta para Impactos Econômicos da Redução da Jornada
Mesmo em um cenário de juros elevados e crédito restrito, o setor brasileiro de máquinas e equipamentos registrou crescimento consistente em 2025. A Abimaq projeta avanço moderado para 2026, mas manifesta preocupação com a proposta de redução da jornada semanal, apontando possíveis impactos sobre custos, produtividade e crescimento econômico.
ECONOMIA
Bugiganga News
2/20/20262 min ler
Salve, meu investidor de confusão!
A indústria brasileira de máquinas e equipamentos fechou 2025 com um crescimento de 8,3% no faturamento. Isso mesmo. Em pleno cenário de juros nas alturas, crédito quase proibido e clima político instável, o setor resolveu contrariar o roteiro da tragédia econômica e entregou resultado positivo. Mas calma, porque no meio da comemoração veio o alerta e ele não foi nada suave.
Quem puxou o freio da empolgação foi José Velloso, presidente da Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos (Abimaq). Para ele, a proposta de reduzir a jornada semanal de 44 para 36 horas não é avanço social, é “bomba econômica”. Segundo o executivo, a conta pode ser pesada: aumento de custos que pode chegar a 20%, impacto bilionário na indústria e até risco de queda relevante do PIB.
E o curioso é que o setor cresceu mesmo com financiamento praticamente inexistente. As linhas do BNDES via Finame operaram perto de 20% ao ano. Resultado? Cerca de 80% das máquinas foram vendidas à vista. Sim, à vista. Algo que não é exatamente o padrão de uma economia que precisa investir pesado para ganhar produtividade.
Falando em produtividade, aí mora o verdadeiro drama, segundo Velloso. Em 1980, o trabalhador brasileiro produzia o equivalente a 50% do trabalhador americano. Hoje, essa relação caiu para 25%. Ou seja, a gente não está só devagar, está ficando proporcionalmente mais distante. E reduzir jornada sem aumentar eficiência seria, na visão dele, trocar o problema estrutural por um custo permanente.
No comércio exterior, mesmo com o tarifaço dos Estados Unidos, as exportações do setor cresceram 5%. As vendas para os EUA caíram 9%, mas a Argentina compensou, avançando 34% nas compras de máquinas brasileiras. Singapura também apareceu forte, puxada por demandas ligadas à Petrobras. Enquanto isso, o mercado interno foi sustentado principalmente pela necessidade de modernização tecnológica, porque ficar anos sem investir cobra a conta depois.
O ponto mais sensível é que, embora a lei fale em 44 horas semanais, na prática a média já é menor. Muitas empresas operam perto de 40 horas via negociação coletiva. Para a Abimaq, transformar a redução em obrigação constitucional tira flexibilidade e ignora diferenças entre setores.
Para 2026, a projeção é de crescimento mais moderado, cerca de 4%. Agricultura e infraestrutura devem sustentar o ritmo. Mas o ambiente eleitoral pode mexer com expectativas e decisões de investimento. E no Brasil, como sempre, previsibilidade é artigo de luxo.
No fim das contas, o debate sobre jornada virou mais do que discussão trabalhista, virou embate sobre modelo de desenvolvimento. De um lado, quem vê redução como avanço social. Do outro, quem enxerga risco fiscal, produtivo e inflacionário.
Enquanto isso, o Brasil segue tentando crescer com juros altos, produtividade baixa e decisões que misturam cálculo técnico com cálculo eleitoral. Porque aqui, meu rei, a máquina até roda… mas sempre tem alguém querendo trocar as engrenagens no meio da operação.
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