Kepler Weber cresce no 4T25, mantém ROIC elevado…
Alta de 28,5% no lucro, ROIC de 23% e expansão internacional no ano do centenário. A Kepler Weber entrega números sólidos — mas, após o pico de 2022, o desafio agora não é crescer… é sustentar rentabilidade num ciclo menos exuberante.
ECONOMIA
Bugiganga News
2/26/20263 min ler


Mas o ciclo já virou... e poucos estão olhando para isso
A Kepler Weber encerrou o 4T25 com lucro líquido de R$ 64,8 milhões, alta de 28,5% na comparação anual.
A receita líquida do trimestre foi de R$ 398,7 milhões, enquanto no acumulado de 12 meses a companhia atingiu aproximadamente R$ 1,5 bilhão.
A margem EBITDA fechou o trimestre em 16,9%, e no acumulado do ano em 15,6%.
E o número que realmente importa para quem entende de alocação de capital:
ROIC de 23% nos últimos 12 meses.
No papel, o resultado é sólido.
Mas resultado trimestral isolado nunca conta a história inteira.
📈 O ciclo contado pelo histórico
Quando olhamos para os dados históricos, a narrativa muda de tom.
A Kepler viveu um pico relevante em 2022, quando a receita anual chegou ao topo do ciclo impulsionado pelo agro forte, crédito abundante e margens elevadas no produtor rural.
De lá para cá, o movimento foi de normalização:
2022 → auge do ciclo
2023 → ajuste
2024 → estabilização
2025 → manutenção em patamar sólido, porém abaixo do pico
Ou seja:
O crescimento explosivo ficou para trás.
O que vemos agora é sustentação.
E aqui começa a parte interessante.
🧠 Margem resiliente em ambiente menos exuberante
Empresas cíclicas costumam sofrer quando o ciclo vira.
Receita cai → margem comprime → retorno sobre capital despenca.
Mas a Kepler não seguiu esse roteiro clássico.
Mesmo com receita abaixo do pico histórico, a empresa conseguiu manter:
Margem EBITDA próxima de 16%
ROIC consistentemente elevado (23%)
Isso sugere algo além de vento a favor.
Indica disciplina operacional.
Controle de custos.
Seleção mais criteriosa de projetos.
E uma estratégia menos dependente do volume e mais focada em rentabilidade.
🌎 O fator internacional
Outro ponto central do resultado foi o destaque dado aos negócios internacionais, com expansão na Argentina, Paraguai e outros mercados da América Latina.
No ano do seu centenário, a Kepler sinaliza que não pretende depender exclusivamente do ciclo agrícola brasileiro.
Mas a pergunta é inevitável:
Essa internacionalização é um plano ofensivo de expansão
ou um movimento defensivo diante de um agro doméstico menos vibrante?
Quando o crédito rural aperta e o produtor posterga investimento,
armazenagem deixa de ser urgência e vira decisão estratégica.
E isso muda o ritmo do setor.
💰 Lucro sobe… mas o que o mercado precifica?
Lucro subiu 28,5%.
Margem saudável.
ROIC acima da média industrial.
Mas o investidor experiente não olha só o espelho retrovisor.
Ele olha para frente.
O mercado está precificando:
Continuidade de retorno elevado?
Novo ciclo de expansão internacional?
Ou apenas comemorando um trimestre forte dentro de um ambiente estruturalmente mais moderado?
Porque existe uma diferença enorme entre:
“empresa forte”
e
“empresa no topo do ciclo”.
🧩 O ponto sensível que poucos destacam
2022 foi extraordinário.
2023-2025 foram anos de ajuste e consolidação.
Se 2026 trouxer:
crédito mais restrito
produtor rural mais cauteloso
menor ritmo de investimento
A sustentação das margens será o verdadeiro teste.
E é aí que separa empresa eficiente de empresa oportunista de ciclo.
🎯 O que realmente importa
A Kepler Weber hoje não parece uma empresa em deterioração.
Pelo contrário.
Ela parece uma companhia que:
Cresceu no boom
Ajustou na normalização
Mantém retorno elevado
Busca diversificação geográfica
Mas mercado não paga pelo passado.
Mercado paga pela expectativa futura.
E expectativa depende de narrativa.
🤔 A pergunta que fica
Se os números são sólidos,
se o ROIC é alto,
se a disciplina estratégica está presente…
Então por que a volatilidade recente em KEPL3?
O mercado está exagerando cautela?
Ou está enxergando um ciclo que a maioria ainda não percebeu?
E no meio dessa oscilação, a pergunta central do Bugiganga continua:
Quem ganha com essa narrativa?
O investidor paciente…
ou quem opera a ansiedade do mercado?
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