Europa acelera corrida por minerais críticos e entra em disputa direta com China

A corrida global por minerais críticos como lítio, cobalto e terras raras intensificou a disputa geopolítica entre China, Europa e Estados Unidos. Esses recursos são essenciais para chips, inteligência artificial, carros elétricos e energia limpa.

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Bugiganga News - CR

3/15/20262 min ler

A disputa global por minerais críticos deixou de ser apenas uma questão industrial.
Ela se transformou em uma disputa estratégica entre potências tecnológicas.

A União Europeia anunciou recentemente novos acordos para garantir acesso a matérias-primas essenciais para a economia digital e para a transição energética.

Entre os minerais considerados estratégicos estão:

  • lítio

  • cobalto

  • níquel

  • grafite

  • terras raras

Esses materiais são fundamentais para a produção de baterias de veículos elétricos, chips avançados, turbinas eólicas, redes elétricas e data centers de inteligência artificial.

O problema é que grande parte da cadeia global desses recursos está concentrada em um único país: a China.

Segundo estimativas da Agência Internacional de Energia (IEA), o país domina cerca de:

  • 60% da produção mundial de terras raras

  • 85% do processamento global desses minerais

  • grande parte da cadeia de refino de materiais usados em baterias.

Isso significa que mesmo quando os minerais são extraídos em outros países, frequentemente acabam sendo processados em território chinês.

Nos últimos anos, essa dependência passou a preocupar governos ocidentais.

Principalmente porque tecnologia, energia e indústria começaram a convergir para o mesmo ponto estratégico.

A expansão da inteligência artificial, por exemplo, está elevando drasticamente a demanda por chips e infraestrutura digital um tema explorado na análise sobre Inteligência artificial e a nova crise energética dos data centers.

Ao mesmo tempo, a indústria de veículos elétricos se tornou um novo campo de disputa comercial, como mostra o debate sobre as tarifas europeias contra carros elétricos chineses, que pode abrir uma nova frente de guerra industrial global.

Essa competição tecnológica também aparece no controle da produção de semicondutores.

A análise A guerra dos chips ficou ainda mais estratégica para as potências globais mostrou como Estados Unidos e aliados tentam limitar o acesso da China a tecnologias avançadas.

Pequim respondeu de outras formas.

Em 2023 e 2024, o país restringiu exportações de minerais como gálio e germânio, materiais essenciais para a indústria de semicondutores.

Em outras palavras:
enquanto o Ocidente tenta controlar chips, a China demonstra que também possui poder sobre os materiais necessários para produzi-los.

Essa dinâmica cria uma espécie de guerra econômica silenciosa.

Uma disputa que não envolve apenas tarifas ou sanções, mas o controle de toda a cadeia tecnológica global.

Ao mesmo tempo, centros industriais como Shenzhen, considerada hoje uma das capitais mundiais da inovação tecnológica, mostram como dominar essas cadeias produtivas pode transformar regiões inteiras em potências industriais.

A corrida por minerais críticos pode parecer distante do cotidiano das pessoas.

Mas ela está diretamente ligada a tecnologias que definem o futuro da economia global:

  • inteligência artificial

  • carros elétricos

  • energia limpa

  • chips

  • infraestrutura digital

A pergunta que começa a surgir entre analistas é simples e ao mesmo tempo preocupante:

quem vai controlar os recursos que sustentam a próxima revolução tecnológica?

Porque no século XXI, poder econômico talvez não dependa apenas de quem fabrica tecnologia.

Mas de quem controla os minerais que tornam essa tecnologia possível.