Pronaf impulsiona mecanização no campo, mas crédito subsidiado levanta alerta sobre dependência no agro

O avanço da mecanização na agricultura familiar cresce impulsionado por crédito barato do Pronaf, com juros a partir de 2,5%. Mas até que ponto esse modelo é sustentável sem subsídios? Entenda os riscos por trás do crescimento.

POLÍTICAECONOMIA

Bugiganga News

4/2/20262 min ler

O CRÉDITO BARATO QUE ACELERA… E ESCONDE

Tem algo curioso acontecendo no campo brasileiro e pouca gente está olhando com a lupa que deveria.

De um lado, o discurso é positivo: crédito barato, juros baixos, acesso facilitado. O Pronaf Mais Alimentos virou, nos últimos dois anos, o grande motor da mecanização da agricultura familiar.

Mas é justamente aí que mora o ponto que ninguém quer encarar de frente.

Quando o investimento passa a depender do crédito barato… ele deixa de ser totalmente econômico e passa a ser político.

MECANIZAÇÃO REAL OU ESTÍMULO ARTIFICIAL?

O crescimento de quase 45% nos recursos para mecanização em 2025, ultrapassando R$ 1 bilhão, impressiona. Só que ele não nasce de um aumento espontâneo de eficiência ou rentabilidade no campo.

Ele nasce de um ambiente onde o custo do dinheiro foi artificialmente reduzido.

Enquanto linhas como o Moderfrota operam com juros de 13,5%, o Pronaf entrega crédito a partir de 2,5%.

Isso não é só incentivo. Isso é distorção de mercado.

Cria-se um cenário onde parte dos produtores investe com um custo que não reflete o risco real da operação.

O RISCO QUE NINGUÉM QUER FALAR

Outro ponto crítico: em muitos casos, o crédito dispensa garantias reais.

Ou seja, o sistema passa a confiar mais no acesso do que na segurança da operação.

Isso amplia o alcance… mas também amplia o risco escondido.

No curto prazo, tudo funciona:

  • mais máquinas

  • mais produtividade

  • mais atividade econômica

Mas no médio prazo, a pergunta muda completamente:

Quem paga a conta se isso não se sustentar?

O JOGO QUE DEFINE O MERCADO

Existe ainda um fator estratégico que passa despercebido:

Mais de 90% dos contratos estão concentrados em regiões específicas.

Isso significa que o programa não apenas incentiva o investimento, ele direciona onde ele acontece.

E mais: ao estimular a compra de máquinas via crédito subsidiado, o governo passa a influenciar diretamente a demanda da indústria.

Ou seja, o crescimento do setor pode não ser totalmente orgânico, pode estar sendo impulsionado por estímulo artificial.

DESENVOLVIMENTO OU DEPENDÊNCIA?

Sim, existem ganhos claros:

  • aumento de produtividade

  • redução do esforço físico

  • retenção de jovens no campo

Mas existe uma linha tênue entre incentivo e dependência.

E essa linha está ficando cada vez mais borrada.

Porque quando o sistema só funciona com juros baixos e crédito facilitado…

ele deixa de ser resiliente.

A PERGUNTA QUE FICA

Hoje, a mecanização da agricultura familiar está avançando. Isso é fato.

Mas a questão real não é essa.

A questão é: esse avanço se sustenta sem o subsídio?

Porque no fim do jogo, meu rei:

não é o acesso ao crédito que define o sucesso…
é a capacidade de sobreviver sem ele.

Estamos modernizando o campo… ou apenas financiando uma modernização que só existe enquanto o crédito continua barato?