Após decisão controversa, STF recua e impede cobrança retroativa que poderia gerar prejuízo bilionário na reciclagem.
O STF limitou os efeitos da decisão que acabou com a isenção de PIS e Cofins na reciclagem e evitou uma cobrança retroativa que poderia gerar impacto de até R$ 4,1 bilhões, expondo falhas na aplicação prática das regras tributárias.
ECONOMIAPOLÍTICA
Bugiganga News
3/27/20262 min ler


STF recua… depois de quase criar um problema bilionário
O Supremo Tribunal Federal decidiu limitar os efeitos de uma decisão que ele próprio tomou.
Sim, é isso mesmo.
Depois de acabar com a isenção de PIS e Cofins sobre materiais recicláveis em 2021, a Corte agora determinou que a cobrança só pode valer a partir de 11 de março de 2026.
Na prática?
Um recuo.
E necessário.
Sem isso, o setor poderia ser atingido por uma cobrança retroativa de até R$ 4,1 bilhões.
O problema não foi o imposto… foi a desconexão
A decisão original partia de uma lógica teórica:
gera crédito na compra
paga imposto na venda
Equilíbrio perfeito... no papel.
Mas completamente desconectado da realidade.
Na cadeia da reciclagem:
quem compra não é quem vende
cooperativas recebem material sem custo
não geram crédito
mas passaram a ser tributadas na saída
Ou seja:
o STF criou uma regra que funcionaria… se o setor não existisse como ele realmente é.
Quem pagaria essa conta?
Não seriam grandes grupos.
Seriam:
cooperativas de catadores
pequenos operadores
gente sem margem e sem poder de repasse
O próprio relator, Gilmar Mendes, reconheceu o risco.
Mas a pergunta inevitável é outra:
por que isso não foi considerado antes?
O padrão se repete
Primeiro vem a decisão.
Depois, o impacto real aparece.
Aí entra a “modulação” para corrigir o estrago.
Nesse caso, o STF precisou agir para evitar:
autuações em massa
quebra de operações
insegurança jurídica generalizada
Mas isso levanta um ponto incômodo:
o sistema corrige depois que erra e não antes.
O freio de emergência
A nova decisão resolve o passado.
Mas não resolve a lógica do problema.
Ela:
evita a cobrança retroativa
reduz o caos imediato
ganha tempo
Só isso.
O Congresso tenta fazer o que o STF não fez
O Projeto de Lei nº 1.800 propõe algo básico:
permitir crédito na compra
manter isenção na venda
Ou seja:
adaptar a regra à realidade.
Algo que deveria ter sido o ponto de partida.
E tudo isso… para um sistema que já vai acabar
Até 2027:
PIS e Cofins deixam de existir
entra a CBS
Então o país está ajustando um modelo que já está com prazo de validade.
A leitura Bugiganga
O caso da reciclagem escancara um padrão perigoso:
decisões são tomadas no topo
sem aderência total à base
e corrigidas depois que o impacto aparece
Enquanto isso, quem está na ponta segura o prejuízo.
Agora a pergunta que incomoda
Se uma decisão do mais alto nível do Judiciário quase gerou um rombo bilionário…
quantas outras ainda estão produzindo efeitos… sem que o erro tenha sido percebido?
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